Lava Jato

PF cumpre mandados em dois estados na 57ª fase da Lava Jato

Brasília - A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã de hoje (25) a 6ª fase da Operação Zelotes. Os policiais estão nas ruas para cumprir 20 mandados de condução coercitiva, quando a pessoa é levada à delegacia para prestar depoimento e, em seguida, é liberada; e 18 de busca e apreensão, além de duas oitivas autorizadas judicialmente no Complexo da Papuda, em Brasília. (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (5), a 57ª fase da Operação Lava Jato, batizada Operação Sem Limites. Os mandados são cumpridos nos estados do Paraná e Rio de Janeiro.

São 37 ordens judiciais, sendo 26 mandados de busca e apreensão, onze manados de prisão preventiva e seis intimações pela autoridade policial, expedidas para tomada de depoimentos ainda hoje.

Foram também expedidas ordens de sequestro de imóveis, indisponibilidade de contas bancárias de investigados e bloqueio de valores até o limite dos prejuízos identificados até o momento.

Segundo a PF, nesta nova fase, foi identificada uma organização criminosa que atuava, principalmente, na área de trading da Petrobras, onde são realizados negócios de compra e venda de petróleo e derivados entre a estatal e empresas estrangeiras.

O esquema teria operado até meados de 2014, porém, segundo a polícia, não é possível “descartar a continuidade do esquema até os dias atuais, na área de trading da Petrobras com diversas ramificações internacionais (o que reforça a necessidade das medidas judiciais deferidas)”.Os investigados responderão pela prática, dentre outros, dos crimes de corrupção, organização criminosa, crimes financeiros e de lavagem de dinheiro.

Processos facilitaram a corrupção

O esquema viabilizava o pagamento de propina a executivos e proporcionava ganhos acima do mercado para as empresas. Segundo a PF, eram praticados crimes em duas modalidades de negócios: os esquemas de corrupção na área de trading (compra e venda) de petróleo e derivados e na área de afretamento de navios. Também foram encontrados indícios de irregularidades na locação de tanques de armazenagem em negociações com as mesmas empresas.

As operações de trading eram de responsabilidade da Diretoria de Abastecimento, especificamente da Gerência Executiva de Marketing e Comercialização. As operações não necessitavam de prévia autorização da Diretoria, “circunstância que facilitava sobremaneira a pulverização dos esquemas ilícitos nas mãos de diversos funcionários de menor escalação vinculados à Diretoria de Abastecimentos e que exerciam suas funções tanto no Brasil quanto nos escritórios da Petrobras no exterior”, informa a PF.

Estas mesmas operações movimentaram recursos em transações spot diárias e também de contrato de longo prazo. Segundo a PF, essas medidas “recursos vultosos de propina ao final de um determinado espaço temporal”.

As operações investigadas nesta fase eram feitas principalmente junto a empresas estrangeiras. A Petrobras mantém escritórios e funcionários no exterior para atuação na área de trading, circunstância que, de acordo com a PF, também facilita o recebimento e divisão de propinas em contas no exterior. “A área sofre forte ingerência política decorrente de processos de indicação e manutenção de funcionários nos cargos”, informa a PF.

Sem Limites

A investigação policial recebeu o nome de Operação Sem Limites em referência à transnacionalidade dos crimes, que ocorrem em diversos locais no país e no exterior, à ausência de limites legais para as operações comerciais realizadas e a busca “desenfreada e permanente” por ganhos de todos os envolvidos, “resultando sempre na depredação do patrimônio público”, segundo a PF.

Mariana Ohde

Repórter no Paraná Portal

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