Geral

O desastroso general e os mesmos problemas do Brasil

“Moro num país onde a candidatura de um general a vice-presidente preocupa toda a imprensa. A de um presidiário, não”. Esta frase, que circula nas redes sociais em forma de defesa aos comentários, fora de propósito, do general Hamilton Mourão, convidado para ser vice-presidente na chapa do capitão Jair Bolsonaro, acendeu a discussão racista no país. O general foi fuzilado por entidades representativas de negros, indígenas e de várias outras etnias. Antes, porém, foi massacrado pela imprensa.

Ao ler alguns comentários nas redes sociais, fui verificar a frase do general na sua íntegra: “Essa herança do privilégio é uma herança ibérica. Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. Eu sou indígena, minha gente. Meu pai é amazonense. E a malandragem, Edson Rosa (vereador de Caxias do Sul), nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano. Então, essa é o nosso cadinho cultural. Infelizmente, gostamos de mártires, líderes populistas e dos macunaímas”.

É claro que foi um discurso fora de hora, mas, vejamos, o que está acontecendo em nosso país, onde a cultura do assistencialismo e do sindicalismo imperam e destroem a nação. Vejam o nosso Congresso Nacional que mais parece uma casa de horrores, onde a maioria dos parlamentares que estão perpetuados no poder há décadas vem, agora, em épocas de eleições, criticar, em discursos hediondos, os descasos governamentais em relação à saúde, educação, segurança e principalmente à economia.

No meu entendimento, são esses parlamentares, hoje candidatos à reeleição, na Câmara ou no Senado e mesmo à Presidência da República, os principais responsáveis por este estado de coisas. Verbas de emendas parlamentares distribuídas politicamente em todo o país que resultaram, em muitas vezes, em obras inacabadas e na corrupção. Soma-se a isso, a irresponsabilidade do corte suprema que, diante de mais de 13 milhões de desempregados, votam o aumento do próprio salário.

Acompanho, pelo dever da profissão, os discursos dos candidatos e observa que nada mudou nos últimos 40 ou 50 anos, onde o país sucumbiu várias vezes justamente por erros na condução da política econômica atrelada à preferência pelo assistencialismo. Onde estavam esses parlamentares, hoje candidatos, que não subiram nas tribunas para tentar frear a farra de distribuição de recursos públicos? Estão aqui, hoje, com o mesmo discurso, falando em acabar com a corrupção, com governo comprometido com, pasmem, “o Congresso Nacional”.

Temos, sim, um general que comete deslize e exagera no racismo, xenofobismo e temos, também, um candidato à Presidência da República, preso por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. É por isso que perto de 50% dos 130 milhões de brasileiros com direito a voto não sabem em quem depositar sua confiança, ou seja, o seu voto. Se houvesse um país justo, onde o índio, o negro tivessem o mesmo privilégio, certamente o general da hora não dizia asneiras e grande parte da população não precisava literalmente acoitá-lo, principalmente através da mídia. De um automóvel (pode ser até uma Ferrari) a um índio ou a um negro para ver se não saem dirigindo. A inteligência é a mesma.

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