Política

“O Brasil era pobre, preto e prostituta, antes de Moro”, diz chefe de Ministério da Justiça

O chefe da equipe de assuntos legislativos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Vladimir Passos de Freitas, afirmou nesta segunda-feira (13), em Curitiba, que “o Brasil era pobre, preto e prostituta” antes de Moro. Freitas ministrou uma palestra sobre a relação entre o Legislativo e o Ministério da Justiça.

Segundo ele, a Operação Lava Jato mudou o Brasil e isso só aconteceu pela determinação do Ministro Sérgio Moro.  Ao ser questionado sobre a adaptação do ex-juiz ao ambiente político, o desembargador federal aposentado disparou.

“Um homem que consegue levar a Lava Jato até o fim, que muda o Brasil do ponto de vista penal tem muita força interior. Antes dele o Brasil era pobre, preto e prostituta. O equilíbrio psicológico de uma pessoa dessa [Moro] merecia uma tese de doutorado”, declarou.

Vladimir afirmou que Moro tem muita habilidade política, porém não é populista e vai lidar bem com as modificações no Pacote Anticrime. Ele acredita que a maioria das propostas vai passar e que Moro está acostumado com esse meio.

“O fato do Caixa 2 ter ido parar na Justiça Eleitoral não estava nos planos, mas faz parte do jogo democrático. O presidente Getúlio Vargas dizia que nem um ditador pode tudo. Então o ministro da Justiça tem que se curvar.   Muitas vezes até o presidente da república tem que se curvar”, contextualizou ele sobre nem sempre ter todas as vontades atendidas.

O chefe de assuntos legislativos do Ministério da Justiça também falou sobre o decreto que ampliou o porte de armas e a possível contestação sobre a inconstitucionalidade.

“Algumas posições são do presidente da república, como nesse caso. São promessas de campanha e não cabe ao ministério da justiça se manifestar contrário porque é o que o presidente quer. Ele foi eleito, ele é o presidente”.  Vladimir admitiu que o ideal seria ter mais tempo para analisar o decreto.

“A vontade do presidente prevaleceu. Eu diria que não é raridade que as coisas sejam apressadas, pois isso faz parte das atribuições. Não é o ideal, o melhor seria que a ideia fosse amadurecida, mas as vezes quando se discute muito uma coisa,  elas nunca saem”, completou ele.

O congresso nacional realizado na capital paranaense reuniu catorze palestrantes que falaram sobre a Operação Lava Jato e os mecanismos de combate à corrupção.

Moro falou sobre Coaf

Na palestra que fez no período da manhã, o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, falou sobre o caso envolvendo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Na última quinta-feira (9), a comissão de deputados e senadores que analisa a Medida Provisória da reforma ministerial aprovou a transferência do órgão para o Ministério da Economia, retirando da pasta do ex-juiz.

Segundo Moro, ele nunca pediu para ter controle sobre o Conselho, mas apontou para o passado para lembrar que o órgão foi negligenciado na pasta da Economia nas gestões anteriores.

“[O ministério da Economia] tem uma gama de responsabilidades e tantas preocupações macroeconômicas que o Coaf acaba sendo uma das menores preocupações. No Ministério da Justiça ele teve destaque. Estamos melhorando e precisamos melhorar ainda mais, tornando o órgão mais eficiente. Podem me tirar, mas temos que pensar no futuro e o que o passado nos revela é que ele fica negligenciado na pasta de Economia”, aponta Moro.

Juíza admitiu falhas

Em outro painel, a juíza federal Gabriela Hardt, que substituiu o ex-juiz Sérgio Moro na condução dos processos relacionados à Operação Lava Jato, falou abertamente pela primeira vez com a imprensa sobre a acusação de que ela teria copiado trechos da decisão anterior de Moro para embasar a sentença que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 12 anos e 11 meses de prisão no caso envolvendo o recebimento de vantagens indevidas em obras no Sítio de Atibaia.

Outras personalidades também participaram do evento, como o procurador da República Deltan Dallagnol, os juízes federais Marcelo Bretas e Carolina Lebbos, o desembargador do TRF4, João Pedro Gebran Neto e o diretor-geral da Polícia Federal Marcelo Valeixo – todos atuantes na Operação Lava Jato.

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