Política

Saiba o que o governo Bolsonaro e a oposição dizem sobre caso Moro

No último domingo (9.jun.2019), o site The Intercept divulgou uma série de reportagens que mostram uma troca de mensagens entre Dallagnol e o então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, sobre a operação Lava Jato.

Tudo sobre vazamento de mensagens entre Moro e o MP

De acordo com o portal, Moro, à época titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, orientou ações e cobrou novas operações dos procuradores em conversas no Telegram –aplicativo de mensagens.

Em evento em Manaus (MA), Moro disse que não viu “nada de mais” sobre o vazamento de mensagens com o procurador.

Dallagnol chegou a publicar 1 vídeo defendendo a operação Lava Jato. Ele afirmou que a força tarefa é “contra a corrupção, seja de quem ela for”.

Veja como o caso repercutiu na política:

  • Jair Bolsonaro, presidente da República: “Nós confiamos irrestritamente no ministro Moro”, teria dito o presidente, segundo o secretário de Comunicação da Presidência da República, Fabio Wajngarten. Antes, o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros havia dito que o presidente não iria se pronunciar sobre o caso no momento, mas que “já fez contato” com Moro e deve se encontrar com o ministro nesta 3ª feira (11.jun);
  • Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), vereador do Rio de Janeiro e filho do presidente: Publicou nas redes sociais diversas mensagens contra a reportagem. Em uma delas, disse: “É impressão minha, ou só no Brasil, uma imprensa utiliza uma invasão ilegal de algo privado, ignorando a invalidade judicial e ilegalidade, mas não se importa em divulgar, com o único intuito de queimar o governo Bolsonaro e favorecer o sistema? Acho que já vi isso antes!”;
  • Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), senador e filho do presidente: Limitou-se a compartilhar no Twitter o link de uma matéria com  a nota de Sergio Moro sobre o caso
  • Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), deputado federal e filho do presidente: Nas redes sociais, também fez várias postagens sobre o caso. A maior parte delas, atacando o jornalista Glenn Greenwald e o The Intercept.

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  • Hamilton Mourão, vice-presidente da República: “Eu vou responder de uma forma muito simples: conversa privada é conversa privada. Descontextualizada traz qualquer número de ilações. Então, o ministro Moro é um cara da mais ilibada confiança do presidente”;
  • Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional: “O desespero dos que dominaram o cenário econômico e político do Brasil, nas últimas décadas, levou seus integrantes a usar meios ilícitos para tentar provar que a Justiça os puniu injustamente. Querem macular a imagem do Dr Sergio Moro, cujas integridade e devoção à Pátria estão acima de qualquer suspeita. Vão ser desmascarados, mais uma vez”;
  • Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo: “Não posso falar. […] Não li nenhuma linha para comentar. Então, não posso te comentar nada. Agora, o que eu acho, do princípio da coisa, é que você não pode admitir essa ousadia criminosa. É só isso”;
  • Paulo Guedes, ministro da Economia: “Toda hora tem uma. É Michel Temer, é o filho do Bolsonaro, hoje é o Moro. Só os senhores têm capacidade para examinar o mérito, mas não é coincidência que cada hora estoura uma bombinha vendo se paralisa a marcha dos eventos e isso é uma visão muito míope. É uma visão muito superficial do fenômeno”;
  • Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa: “Eu preciso me aprofundar nesse fato, esse fato é recente. Vamos ver o que aconteceu realmente. Agora, uma coisa eu falo: o ministro Moro tem a total confiança nossa. Total confiança nossa. Ele é 1 ministro, ele é 1 homem de muito respeito e do bem. É isso que eu tenho a falar para vocês”;
  • Jandira Feghali (PC do B-RJ), deputada federal e líder da Minoria na Câmara: “Cabe ao Parlamento entrar nas investigações, não cabe apenas à esquerda e à oposição. A atitude do senhor Sergio Moro, do Deltan Dallagnol e Laura Tessler são atitudes criminosas diante das leis brasileiras”. Além disso, postou algumas mensagens no Twitter.

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Entidades também comentaram o caso, pedindo a apuração dos fatos.

  • Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe): “As informações divulgadas pelo site precisam ser esclarecidas com maior profundidade, razão pela qual a Ajufe aguarda serenamente que o conteúdo do que foi noticiado e os vazamentos que lhe deram origem sejam devida e rigorosamente apurados”.
  • Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR): “A ANPR cobrará das autoridades competentes a apuração rigorosa, mediante investigação célere, isenta e aprofundada, já que a obtenção ilícita de dados e informações e a interceptação ilegal de conversas pessoais, bem como a sua transmissão a terceiros, além de se constituir em atividade que coloca em risco o trabalho e a segurança dos agentes públicos envolvidos, configuram (…) crimes”;
  • Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil: “É preciso, antes de tudo, prudência. A íntegra dos documentos deve ser analisada para que, somente após o devido processo legal –com todo o plexo de direitos fundamentais que lhe é inerente–, seja formado juízo definitivo de valor”, diz a OAB. “Não se pode desconsiderar, contudo, a gravidade dos fatos, o que demanda investigação plena, imparcial e isenta”.
  • MSN

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