Economia

Mais de 90% das empresas do Paraná tiveram perdas com a Covid-19 e 14% demitiram

Mais de 90% dos micro e pequenos negócios paranaenses registraram queda de faturamento com a crise do novo coronavírus. É o que mostra pesquisa realizada pelo Sebrae, com parceria da Fundação Getúlio Vargas, que ouviu 10.384 microempreendedores individuais (MEI) e donos de micro e pequenas empresas de todo o País. No Paraná, foram ouvidos 681 empresários.

A crise causada pela pandemia do coronavírus ocasionou uma perda de faturamento para 90,2% de micro e pequenos negócios paranaenses, média maior que a nacional, de 88,7%. O prejuízo mensal médio para esses empresários foi de 64,6%. Apenas 0,8% dos negócios apresentaram crescimento do faturamento.
Por conta desses impactos, 43,5% dos pequenos negócios do Estado tiveram que interromper suas atividades temporariamente e 2,2% das empresas fecharam as portas. Além disso, 44,8% dos negócios tiveram que modificar sua maneira de atuar para continuar funcionando.

A pesquisa também apontou que 13,8% dos empresários tiveram de demitir neste período — 49,2% não trabalham com empregados e 37% ainda não demitiram.
A pesquisa revelou que as medidas de isolamento recomendadas pelas autoridades de saúde atingiram a quase totalidade dos pequenos negócios: 44% interromperam a operação, pois dependem do funcionamento presencial. Outros 32% mantêm funcionamento com auxílio de ferramentas digitais e 12% mantêm funcionamento, apesar de não contar com estrutura de tecnologia digital.

Crédito
A ampliação dos impactos econômicos da crise provocada pelo novo Coronavírus tem levado um número maior de donos de pequenas empresas a buscar empréstimo para manter o negócio. No Paraná, 20,3% dos micro e pequenos negócios que solicitaram crédito tiveram sucesso, o sexto melhor índice do País. Ao todo, 34,8% ainda aguardam um retorno enquanto 44,9% dos empresários teve o pedido negado, terceiro menor índice brasileiro. Nacionalmente, 58,2% não obtiveram o empréstimo requerido.

Governo federal sanciona lei que cria programa de apoio às microempresas

O governo federal sancionou a lei que cria o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). A Lei nº 13.999/2020, que abre crédito especial no valor de R$ 15,9 bilhões, foi publicada no Diário Oficial da União e entra em vigor desde ontem. O objetivo é garantir recursos para os pequenos negócios e manter empregos durante a pandemia do novo coronavírus no país.

Pelo texto, aprovado no fim de abril pelo Congresso, micro e pequenos empresários poderão pedir empréstimos de valor correspondente a até 30% de sua receita bruta obtida no ano de 2019. Caso a empresa tenha menos de um ano de funcionamento, o limite do empréstimo será de até 50% do seu capital social ou a até 30% da média de seu faturamento mensal apurado desde o início de suas atividades, o que for mais vantajoso.

As empresas beneficiadas assumirão o compromisso de preservar o número de funcionários e não poderão ter condenação relacionada a trabalho em condições análogas às de escravo ou a trabalho infantil. Os recursos recebidos do Pronampe servirão ao financiamento da atividade empresarial e poderão ser utilizados para investimentos e para capital de giro isolado e associado, mas não poderão ser destinados para distribuição de lucros e dividendos entre os sócios.

O que mostra a pesquisa

Embora todos os setores tenham registrado perdas, elas foram mais sensíveis na atividade da Economia Criativa (eventos, produções, etc, com -77%), Turismo (-75%) e Academias de Ginástica (-72%)
Já os segmentos com menor perda de faturamento, de acordo com o estudo, foram Pet Shops e Serviços Veterinárias (-35%), Agronegócio (-43%) e Oficinas e Peças Automotivas (-48%)
No período de isolamento social, 13,8% dos empresários ouvidos no Paraná disseram que precisaram demitir seu(s) funcionário(s), 37% ainda não demitiram e 49,2% trabalham sozinhos
Sobre a medida anunciada pelo governo permitindo a redução de horas de trabalho e de salários dos funcionários, 68,3% dos emrpesários aderiram e 31,7% não
Para sobreviver neste período, os empresários elencam as medidas que acham mais necessárias por parte dos governos. 57,7% desejam empréstimos sem juros; 47,2% querem redução de impostos e taxas; 46,9% querem aumento de linhas de crédito; 45,7% pedem um auxílio temporário para sobreviver; 38,6% querem redução ou isenção da tarifa de água e luz; 38,5% redução nas taxas de juros; 30,9% suspensão de dívidas; e 30% renegociação de prazos
No Paraná, 27,3% dos empresários admitem estar com algum empréstimo com atraso no pagamento; 32,5% tem empréstimo, mas com as contas em dia e 40,2% não tem empréstimo.
Bem Paraná

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