Comportamento

Demissexual: compreenda quem precisa de conexão para se relacionar

A sexualidade humana é um tema complexo. Embora existam diversos tabus e preconceitos sobre a temática, vivemos em uma época na qual é possível ter mais liberdade. Nesse cenário, novas formas de se relacionar surgem e é preciso se informar sobre elas. Você sabe o que é uma pessoa demissexual? Leia e descubra mais sobre o assunto.

Índice do conteúdo:
O que é
Informações
Experiências
O que é demissexualidade
A psicóloga Letícia Pavani (CRP: 08/31511) nos conta que, desde o século XIX, a psicanálise confronta a concepção biológica na sexologia. Ou seja, o sexo não é mais tratado como a união macho-fêmea com o objetivo de procriação. Sendo assim, a sexualidade é um tema complexo, que envolve múltiplos fatores e que se manifesta de diferentes maneiras.

Para uma pessoa demissexual, o desejo sexual acontece apenas se existe alguma forma de conexão prévia. Pode ser um vínculo emocional, afetivo, intelectual, psicológico, entre outros. Assim sendo, a atração física por si só é irrelevante. “O amor é uma forma de pulsão e, enquanto alguns precisam desejar o outro para poder amar, outros amam para poder desejar, como é o caso do demissexual e demirromântico”, explica a psicóloga.

7 fatos que você precisa saber sobre a demissexualidade
Se, mesmo com a definição, ficou difícil entender, selecionamos abaixo alguns fatos sobre a demissexualidade para você compreender melhor.

Precisa existir uma conexão: a conexão pode ocorrer de diversas formas, o que é muito subjetivo para cada pessoa. O grupo demissexual não é homogêneo, e o que é uma conexão para uma pessoa pode não ser para outra, mas a necessidade de conexão é algo comum a todas as pessoas que se identificam como demissexuais.
Existem diferenças entre demissexual e demirromântico: “a atração sexual no demissexual é orientada por um encontro e uma experiência mais próxima e intimista, enquanto no demirromântico há a atração romântica/amorosa com base na equação desse encontro”, explica Letícia.
O gênero pode determinar a atração ou não: a pessoa demissxual pode se sentir atraída pelo gênero oposto, pelo mesmo, por pessoas não-binárias ou, ainda, o gênero pode não ser um fator relevante para a atração.
Não é questão de escolha: enquanto muitas pessoas escolhem não se relacionar sexualmente por questões morais ou religiosas, demissexuais não fazem isso por escolha, mas por sentirem atração sexual apenas quando existe um vínculo.
É uma descoberta repleta de dúvidas: o processo de descoberta demissexual pode envolver muitas dúvidas. Durante a trajetória, é comum se questionar sobre a sexualidade no geral. Pode ocorrer, por exemplo, de a pessoa se perguntar se é assexual antes de chegar ao reconhecimento pleno.
A psicologia não dá conta de explicar o tema: Letícia explica que a psicologia ainda não se debruçou o suficiente sobre a sexualidade como um todo. Portanto, a demissexualidade e outras manifestações da sexualidade relativamente novas ainda não possuem teorias e abordagens que dão conta de lidar com essa complexidade dentro da psicologia. Ainda existe muito a ser descoberto e estudado.
A invisibilização traz grandes consequências: o social influencia muito nas práticas sexuais e pode gerar muita insatisfação. “Onde deveria ter satisfação, há nojo, e onde deveria ter entrega e satisfação, há timidez”, explica a psicóloga. Para lidar com essa complexidade dentro de si, Letícia faz uma recomendação: “é necessário apropriar-se de uma autorização, assinada por si mesma, para desfrutar da satisfação sexual”.
Apesar dos desafios encontrados pelos demissexuais, Letícia traz uma recomendação: “A descoberta dos interesses e objetos que nos trazem satisfação se dá a partir da exploração dessa estrada com os encontros e desencontros que nos autorizamos a fazer ao longo de nossa viagem”. Portanto, vale a pena se permitir e se conhecer para encontrar satisfação sexual e, assim, viver melhor.

Quando existe dúvida, o melhor a fazer é se informar. Por isso, confira também fatos sobre a bissexualidade e quebre seus tabus.

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