Gravidez

Gravidez semana a semana: saiba o que acontece em cada fase da gestação

O desenvolvimento embrionário e fetal perdura ao longo de 37 a 40 semanas, ocasionando infinitas transformações no organismo da mulher ao decorrer dos meses. “É importante acompanhar e observar o crescimento do feto, assim como o quadro clínico da gestante, para garantir a evolução adequada do embrião, a viabilidade e vitalidade dele”, explica Cristiane Martins de Lira (CRM-SP 85481), ginecologista e obstetra. O acompanhamento da gravidez semana a semana é importante para a mãe saber o que está acontecendo com seu bebê.

Para identificar os sintomas da gravidez e acompanhar o desenvolvimento do bebê em cada semana da gestação, elaboramos a lista abaixo consultando os mestres em Biologia, José Luiz Faria Vasconcellos e Fernando Gewandsznajder e a ginecologista e obstetra Sheila Ferreira Sedicias (CRM-PE 17459). O tamanho do embrião em cada semana está representado por uma semente ou uma fruta.

1ª semana: semente de papoula. Nesta etapa, a célula-ovo já está sendo dividida e reproduzida em ritmo acelerado resultando na massa celular mórula. Aproximadamente já foram produzidas 100 células, algumas destas irão desenvolver o embrião e outras a placenta. A mãe tem a menstruação interrompida e os altos níveis de progesterona se mantêm durante toda a gestação.
2ª semana: semente de sésamo. Nesta etapa, a massa celular mórula é encaminhada em direção ao útero e se modifica resultando no blastócito. Então, o pequeno embrião é fixado no endométrio (camada interna e vascularizada do útero). A mãe sente o olfato mais aguçado e maior sensibilidade corporal.
3ª semana: semente de uva. Aqui, o pequeno embrião se adequa de modo independente da mãe, apesar da necessidade do corpo dela para se desenvolver. A mãe tem corrimento vaginal cor-de-rosa e cólicas, além da oleosidade na pele.
4ª semana: grão de lentilha. O embrião é alongado e formado por três camadas de células (ectoderme, mesoderme e endoderme). A mãe sente muitas oscilações emotivas.
5ª semana: amêndoa. O marco dessa etapa é o sulco nas costas com uma protuberância que será a cabeça. O saco amniótico já está formado, o embrião recebe oxigênio da placenta e o coração está em desenvolvimento. A mãe sente sono, cansaço e enjoos excessivos, além de dores nos seios e adormecimento nos mamilos.
6ª semana: grão de ervilha. O sistema nervoso central está em desenvolvimento, além dos pulmões, que ao longo da gestação se formarão completamente. A mãe poderá ter a indicação de ácido fólico na alimentação.
7ª semana: arando vermelho (pertence a mesma família do mirtilo). O coração já possui quatro câmaras que permitem o batimento cardíaco. A mãe sente dores de cabeça constantes, pois há altos níveis do hormônio beta HCG no sangue.
8ª semana: framboesa. Aqui inicia-se a formação de braços e pernas, como também os traços faciais. A mãe poderá ter a indicação de suplementos de ferro devido à anemia, sendo normal nessa fase.
9ª semana: azeitona. A cabeça já está arredondada, sendo a metade do seu tamanho, os olhos ainda estão separados e fundidos pelas pálpebras, evitando que se possa abri-los. A mãe poderá ter candidíase vaginal, pois seu sistema imunológico está baixo.
10ª semana: ameixa-preta. O pescoço já se alongou e permite movimentar a cabeça. A musculatura facial se desenvolve permitindo mastigar e sugar. A mãe poderá ter sangramento na gengiva ao escovar os dentes devido à inflamação.
11ª semana: lima. Nesta etapa, o bebê se acomoda em novas posições. O coração bombeia sangue em todo organismo pelo cordão umbilical e os ovários ou testículos já estão formados dentro do corpo. A mãe começará a sentir desconforto, pois o útero transpõe os ossos pélvicos, havendo mais espaço para o bebê se desenvolver.
12ª semana: ameixa. Nesta etapa o bebê já consegue bocejar, engolir e soluçar. A mãe tem os seios aumentados e o abdômen está mais visível.
13ª semana: pêssego. As mãos e os pés estão formados, mas as articulações, os músculos e a ossificação estão enrijecendo. A mãe poderá ter lapsos de memória e suas veias estão mais visíveis no corpo.
14ª semana: limão-siciliano. Nesta etapa há o crescimento de cabelos, unhas e sobrancelhas. Os órgãos sexuais estão em desenvolvimento, sendo possível detectar o sexo do bebê. A mãe tem a silhueta arredondada, os hormônios se estabilizam deixando-a mais disposta e o risco do aborto espontâneo é reduzido.
15ª semana: laranja. Nesta etapa, o marco é saber o sexo do bebê, pois seus órgãos sexuais já estão formados. Com os ossos dos ouvidos se desenvolvendo, o bebê consegue identificar e reconhecer vozes. A mãe poderá ter a diminuição dos enjoos matinais.
16ª semana: abacate. A pele do feto está mais rosada, ainda que transparente, é possível observar o esqueleto. Além disso, o bebê começa a treinar sua respiração incentivando o desenvolvimento dos pulmões. A mãe sente o aumento do apetite, pois o bebê precisará de mais energia conforme vai crescendo.
17ª semana: cebola. Nesta etapa o bebê já consegue sonhar e a característica dos primeiros dentes já aparece no osso maxilar. A mãe sente calor, inchaço, coceira na barriga ou seios e azia, pois há altos níveis de progesterona no organismo.
18ª semana: batata-doce. As impressões digitais estão em desenvolvimento por meio da gordura acumulada nas pontas dos dedos das mãos e dos pés. A mãe poderá ter um corrimento branco constante, que aumenta conforme aproxima-se do parto, sendo comum nessa fase.
19ª semana: manga. Nesta etapa o cérebro desenvolve os cinco sentidos específicos como visão, olfato, audição, paladar e tato. A mãe tem uma linha escura vertical no centro da barriga e poderá sentir dores abaixo da barriga devido aos ligamentos do útero que esticam conforme o crescimento.
20ª semana: banana. O batimento cardíaco é mais forte, podendo ser ouvido com o estetoscópio sobre a barriga. O bebê já consegue virar-se e rolar-se, além de movimentar as mãos e agarrar o cordão umbilical. A mãe sente o aumento na frequência urinária e poderá ter estrias no corpo.
21ª semana: romã. O marco desta etapa é a produção de todos os ossos e as células responsáveis pela proteção do organismo (glóbulos vermelhos e glóbulos brancos). A mãe tem a barriga empinada pelo fato de o útero ter crescido bastante e é indicado a prática de exercícios físicos leves, o que melhora a circulação sanguínea e facilita o parto.
22ª semana: mamão. Nesta etapa o bebê já consegue mexer com facilidade os braços e as pernas, colocar as mãos no rosto e chupar os dedos. Além disso, o nariz e a boca estão mais desenvolvidos. A mãe poderá ter hemorroidas e infecções urinárias frequentes, sendo comum nessa fase.
23ª semana: toranja. Aqui, o pâncreas já está em funcionamento e faz o organismo do bebê produzir insulina. Os olhos começam a se movimentar rapidamente, a audição está mais aguçada e é indicado ouvir músicas e sons diversificados para o bebê acostumar-se. A mãe sente oscilações no equilíbrio, pois o centro da gravidade está mudando.
24ª semana: melão-galia. Nesta etapa, as pálpebras ainda estão fechadas, mas os cílios já estão formados. A mãe perceberá com facilidade quando o bebê estiver dormindo e/ou acordado devido às movimentações e aos chutes.
25ª semana: brócolis. Os cabelos do bebê aparecem e têm uma cor predefinida, que após o nascimento irá mudar. No organismo do bebê já circulam a adrenalina e noradrenalina nas circunstâncias de estresse e agitação. A mãe sente desconforto ao dormir, pois ficará mais difícil encontrar uma posição adequada devido ao tamanho da barriga.
26ª semana: alface. Os olhos do bebê são em tons mais claros e após o nascimento irão escurecer de acordo com a genética familiar. Se o sexo do bebê for masculino, os testículos descem completamente até o saco escrotal, e se for feminino, o clitóris está saliente e os óvulos já estão formados dentro dos ovários. A mãe sente dores intensas nas costas ao curvar-se ou sentar-se, além de desconforto ao ficar muito tempo de pé.
27ª semana: couve-flor. Nesta etapa o bebê poderá estar sentado, de lado e/ou de cabeça para baixo. A mãe poderá ter dificuldade na respiração devido à pressão do útero contra o diafragma.
28ª semana: berinjela. Nesta etapa, o ciclo de sono, respiração e deglutição já está regularizado. O bebê alimenta-se do líquido amniótico que se acumula no intestino, o que auxilia no desenvolvimento do mecônio (dejetos). A mãe começará a produção de colostro (líquido amarelado nutritivo) nos seios, sendo uma prévia da amamentação.
29ª semana: abóbora-bolota. O marco dessa etapa é a posição que o bebê se encontra para nascer, em geral, está de cabeça para baixo no útero e assim permanece até o parto. A mãe poderá ter as contrações iniciais Braxton-Hicks, que são curtas e sem dores e irão preparar o útero até o parto.
30ª semana: pepino. A gordura corporal do bebê é de aproximadamente 8% do seu peso, o que auxiliará a regular sua temperatura após o nascimento. O bebê já está de cabeça para baixo e com os joelhos dobrados para cima, facilitando o parto. A mãe sente cansaço e alterações de humor, o que é comum nessa fase.
31ª semana: abacaxi. Nesta etapa o bebê está mais receptivo às brincadeiras e aos estímulos de sons e luzes. A mãe poderá ter as aréolas escurecidas e mais sensíveis, além de pequenos caroços devido a produção de leite. A insônia poderá ser frequente e é indicado a ingestão de chás (valeriana ou passiflora) para relaxar.
32ª semana: abóbora. Os olhos do bebê já se mantêm abertos ao acordar, se movem em direção da luz e piscam. O batimento cardíaco é de aproximadamente 150 vezes por minuto. A mãe poderá sentir cólicas frequentes, sendo uma prévia do trabalho de parto.
33ª semana: couve. Os ossos da cabeça do bebê ainda não se fundiram, o que facilita sua saída durante o parto normal. A mãe sente desconforto nas costelas ao se alimentar devido a pressão do útero. Caso tiver retenção de líquido excessiva, é indicado conversar com o profissional, pois há indícios de pré-eclâmpsia.
34ª semana: moranga. Os sistemas nervoso central e imunológico do bebê ainda estão em desenvolvimento. Ele se prepara para o parto. A mãe tem a barriga mais dura e sente dores e/ou adormecimento na região pélvica devido ao relaxamento das articulações.
35ª semana: coco. O bebê já está formado completamente, exceto os pulmões que ainda estão em desenvolvimento. A mãe tem o umbigo mais saliente e poderá ter engordado.
36ª semana: melão-amarelo. Nesta etapa o bebê ainda precisa crescer e ganhar peso. Se houver a antecedência do parto, considera-se prematuro. A mãe sente cada vez menos os movimentos do bebê devido ao espaço limitado a ele.
37ª semana: abóbora d’água. Nesta etapa os pulmões já estão formados completamente, além de todos os órgãos e sistemas. O bebê é semelhante a um recém-nascido e poderá encaixar e nascer a qualquer momento, sendo considerado termo. A mãe tem a barriga abaixada, sentindo-se mais leve e respirando melhor, porém o cansaço ainda permanece e é indicado repousar.
38ª semana: melão-pele-de-sapo. O bebê está pronto para nascer, mas poderá permanecer até a 40ª semana, engordando e crescendo. A mãe sente as contrações em ritmo padronizado a cada 30-40 minutos e é indicado contatar o(a) obstetra, pois o momento de o bebê nascer está chegando.
39ª semana: abóbora gigante. Nesta etapa, as circunstâncias anteriores permanecem. A mãe tem o rolhão mucoso (muco gelatinoso) que fecha a extremidade do útero e as contrações são a cada 10 minutos indicando que o trabalho de parto está cada vez mais próximo.
40ª semana: melancia. As circunstâncias anteriores permanecem até o nascimento do bebê e é indicado calma e serenidade.
Pré-natal

O pré-natal consiste na assistência e no aconselhamento do(a) médico(a) obstetra, garantindo uma gestação saudável e um parto seguro. De acordo com as novas diretrizes sobre os cuidados pré-natais da OMS (Organização Mundial de Saúde) emitido em 2016, recomenda-se que sejam realizadas no mínimo oito consultas nesse ínterim da gestação.

1ª consulta: atendimento nas 12 primeiras semanas.
2ª consulta: atendimento na 20ª semana.
3ª consulta: atendimento na 26ª semana.
4ª consulta: atendimento na 30ª semana.
5ª consulta: atendimento na 34ª semana.
6ª consulta: atendimento na 36ª semana.
7ª consulta: atendimento na 38ª semana.
8ª consulta: atendimento na 40ª semana até o parto.
Os exames realizados no decurso do pré-natal “avaliam o binômio mãe-bebê durante as 40 semanas de gestação, constantemente são analisados o sangue, a urina e as ultrassonografias”, esclarece Cristiane. Além disso, são verificados o peso e a pressão da gestante e também a movimentação e os batimentos cardíacos fetais.

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